A palavra tsedaká possui sua raiz na palavra hebraica tsedek, que significa integridade, justiça, a coisa certa a fazer.
Tsedakah não se resume apenas em ajudar as pessoas necessitadas com esmolas, e sim fazer justiça a quem necessita.
Temos um passado triste em nossa história, justamente por transgredir esta mitsvá. e foi um dos grandes motivos que levaram nosso povo ao exílio.
"Até nas orlas dos teus vestidos se achou o sangue das almas dos inocentes e necessitados; não cavei para achar, pois se vê em todas estas coisas." Ierminiahu (Jer.) 2:34
"Para desviarem os pobres do seu direito, e para arrebatarem o direito dos aflitos do meu povo; para despojarem as viúvas e roubarem os órfãos!" Ieshayahu (Isaías) 10:2
Elohim faz por nós muito mais do que merecemos, trazendo ajuda, proteção, justiça, consolo, e nós nos esquecemos de agir em gratidão para com o nosso próximo.
Procure olhar ao seu redor, fique atento para estender a mão, seja grato ao Eterno por tudo que tem recebido e haja com justiça!
Da mesma forma em que você espera que o Eterno cuide de suas necessidades, você deve agir para com o necessitado. Isto é fazer "Justiça".
"Julgou a causa do aflito e necessitado; então lhe sucedeu bem; porventura não é isto conhecer-me? diz YHWH." Jer. 22:16
O rabino Paysach Krohn, em seu livro “In the Footsteps of the Maggid” relata a seguinte história:
“Havia uma mulher que vivia em Erets Israel (a terra de Israel) durante um período financeiro muito difícil. Os empregos eram escassos, o que era evidenciado pelo fato de que tanto o seu marido quanto o seu irmão estavam desempregados. Apesar dela se sentir afortunada porque tinha um bom emprego, estava preocupada com seu futuro. Esperando o seu primeiro filho em três meses, ela não tinha certeza se seu emprego ainda estaria lá quando ela estivesse próxima a retornar.
Certa tarde, o empregador estava tendo um almoço informal com os empregados, e a conversa estava fluindo de um tópico a outro. Ela abordou a sua situação em casa, e expressou sua preocupação com seu futuro. Não querendo se comprometer, o empregador graciosamente se esquivou da questão e a conversa se voltou para histórias passadas de suas famílias.
Quando ela mencionou a região de onde sua família vinha, ele se voltou subitamente para ela, desejando saber exatamente quando eles lá viveram. Apesar dela não ter certeza, ele tentou ativar a memória dela, buscando todo e qualquer detalhe sobre seus pais, avós, suas profissões, e onde rezavam. Ele então subitamente deixou o recinto, e depois voltou com olhos vermelhos de lágrimas e contou a seguinte história.
Muitos anos atrás, dois eletricistas viviam na mesma região. Um deles, que era membro do sindicato, era bem sucedido enquanto o outro, um homem não-sindicalizado, mal conseguia se manter através de trabalhos esporádicos. Os dois homens rezavam na mesma sinagoga, e eram de certo modo amigos, mas as famílias praticamente não se conheciam.
Um dia, o eletricista não-sindicalizado sofreu um ataque cardíaco fulminante, e morreu alguns dias depois. O outro eletricista veio consolar os enlutados, e não pode deixar de perceber a pobreza em que a família vivia. Ele perguntou à viúva se ela tinha comida suficiente para a família. A sua alegação foi contradita pelo refrigerador e pelos armários vazios.
Naquela tarde, ele comprou comida o suficiente para encher o refrigerador e alguns dos armários. Todo dia pela manhã, ele chegava e acrescentava ao estoque de comida, mesmo quando a viúva, sem jeito, tentava dissuadí-lo.
Cerca de dois meses depois que o seu marido morrera, a viúva chamou o eletricista. Seu porão estava cheio de materiais elétricos para os quais ela não tinha utilidade. Por cem dólaras, te venderei tudo o que lá estiver, ela ofereceu.
Na noite seguinte, o eletricista veio à sua casa e começou a trabalhar no porão. Por três semanas ele passou suas noites classificando, organizando e ajuntando toda sorte de parafernália elétrica que se acumulara ao longo dos anos.
Ele então chamou todos os eletricistas e carpinteiros que conhecia, informando que haveria um bazar que lhes seria muito proveitoso de comparecer. O bazar trouxe milhares de dólaras, todos os quais foram dados à viúva e à sua família.
Enquanto o empregador terminava de contar a história para o público maravilhado, ele se voltou para essa mulher e disse: O eletricista sindicalizado era seu avô – e eu era um dos órfãos. Foi meu pai quem falecera e minha mãe, meus irmãos e eu quem se beneficiou da tsidkut (retidão) do seu avô.
"E se abrires a tua alma ao faminto, e fartares a alma aflita; então a tua luz nascerá nas trevas, e a tua escuridão será como o meio-dia.".Ieshayahu (Isaías) 58:10

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